Inicial

1.1 As primeiras matrizes do conhecimento e da ação do SS brasileiro

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As tendências de análise e interpretação da intervenção do Serviço Social sob a realidade social, mesmo que derivadas das transformações sociais provocadas pelo desenvolvimento do capitalismo, não podem ser configuradas como homogêneas. Isto porque são análises e compreensões fundadas em um acervo constituído pelas principais matrizes do pensamento social e em constantes confrontos internos, fazendo interlocuções com as movimentações da realidade.

Para Yazbek, o ponto de partida do processo de incorporação do arcabouço teórico da profissão são:

1)      “idéias e conteúdos doutrinários do pensamento social da igreja católica, em seu processo de institucionalização do Brasil”;

2)      “principais matrizes teórico metodológicas acerca do conhecimento do social na sociedade burguesa”.

A relação da profissão com o ideário do pensamento social da Igreja Católica se dá na gênese da profissão. É uma relação que vai imprimir o caráter apostolado, concebendo a “questão social” como problema moral e atribuindo intervenções para a priorização da família e indivíduo enquanto solução dos problemas sociais, materiais e morais – ou seja, a questão social é individualizada e sua responsabilidade está na organização moral e social de cada indivíduo. O serviço social tem a responsabilidade de incidir sobre os valores e comportamentos dos indivíduos, a partir do referencial moral da Igreja Católica, integrando (leia-se enquadrando) às relações sociais vigentes.

O pensamento dessa matriz teórica é permeado pelo ideário Franco-Belga de ação social, pensamento de São Tomás de Aquino (sec.XII) – tomismo e neotomismo. Apesar do doutrinarismo e conservadorismo não se constituírem como Teorias Sociais, foi a primeira orientação de visão de mundo que conduziu o Serviço Social para sua elaboração de uma visão de mundo.

O Serviço Social, na verdade, a partir da visão de mundo mencionada, vai buscar na matriz positivista o seu primeiro suporte teórico-metodológico. O método positivista trabalha as relações aparentes dos fatos. Restringe a visão de teoria aquilo que pode ser verificado e experimentado. Sua intervenção é no sentido de preservar e conservar aquilo que já existe e a visão de problema é fragmentada.

O questionamento a esse referencial se dá a partir dos anos 60 com as novas mudanças econômicas, políticas, sociais e culturais na sociedade.

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2.3.2 – O conservadorismo da Igreja Católica e a teoria social positivista

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No ínicio dos anos 40, o Serviço Social e seu pensamento de fonte da doutrina social da Igreja e seus ideiais Franco-belgas, avançam para um desenvolvimento tecnico ao entrar em contato com o Serviço Social norte-americano – permeado pelo caráter conservador da teoria social positivista.

Esta busca pelo Serviço Social norteamericano e a teoria positivista advém da necessidade de cumprir com as demandas crescentes, de trabalhadores empobrecidos, por bens e serviços. Estes trabalhadores desempregados, fruto do processo de desenvolvimento e acumulação do capital, começam exigir e pressionar o Estado por ações assistenciais. Assim, criam-se instituições assistenciais estatais para intervenção do Estado no processo de reprodução das relações sociais, regulando assim tanto a viabilização do processo de acumulação quanto o atendimento das necessidades sociais das classes subalternas.

Assim, podemos dizer que o primeiro suporte teórico-metodológico do serviço social foi a matriz positivista. Segundo Yasbek,

Este horizonte análitico aborda as relações sociais dos indivíduos no plano de suas vivências imediatas, como fatos, como dados, que se apresentam em sua objetividade e imediaticidade. O método positivista trabalha com as relações aparentes dos fatos, evolui dentro do já contido e busca a regularidade, as abstrações e as relações invariáveis.

A visão de teoria era restrito ao âmbito da experimentação e da fragmentação (a fragmentação, inclusive, tornou-se característica histórica das políticas sociais brasileiras, concebidas setorialmente como se o social fosse a simples somatória de setores da vida, tornando alções de caráter pontual e localizado). Não aponta para mudanças, senão dentro da ordem estabelecida – buscando antes ajustes e conservação.

É pois, a partir desses referênciais que o Estado, gradativamente, impulsiona a profissionalização do assistente social e ampliando seu campo de trabalho em função das novas formas de enfrentamento da questão social

2.3.1 – A Igreja católica e a formação dos primeiros profissionais de Serviço Social

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A formação dos primeiros profissionais de serviço social se dá com a criação do Centro de Estudos e Ação Social (CEAS) – entidade fundadora e mantenedora da primeira Escola de Serviço Social do país. As reuniões de criação do grupo foram acompanhadas pela Arquidiocese de São Paulo em plena revolução paulista, e tinha como objetivos a difusão da doutrina e ação social da Igreja Católica.

O CEAS desenvolvia cursos sobre filosofia, moral, legislação do trabalho, encíclicas papais, etc. É importante lembrar que as orientações da Igreja Católica, no momento, eram regidas pelas encíclicas “Rerum Novarum” (1891} e “Quadragésimo Anno” (1931). Ambas assumiam um posicionamento antiliberal e antissocialista.

A “questão social”, neste momento, era vista a partir do pensamento social da Igreja: questão moral, conjunto de problemas sob a responsabilidade individual dos sujeitos. Segundo Yasbek,

trata-se de um enfoque conservador, individualista, psicologizante e moralizador da questão, que necessita para seu enfrentamento de uma pedagogia psicossocial, que encontrará, no Serviço Social, efetivas possibilidades de desenvolvimento.

Outros referênciais orientadores do Serviço Social na época foram: O pensamento de São Tomás de Aquino (séc.XII), tomismo e o neotomismo.

Esta matiz teórica com base no conservadorismo católico e nos ideários Franco-Belgas, teve seu inicio efetivamente nos anos 40. A primeira reorientação da profissão decorre a partir do encontro com os ideais Norte-Americanos e suas matrizes positivistas. Esta reorientação acontece para atender às novas configurações do desenvolvimento capitalista. Veremos no próximo artigo.